Artigos de Cruz Martínez

Uma vez tive um pesadelo…

Xuño 19th, 2014  |  Published in| the_category Artigos de Cruz Martínez

Aquela noite dormi fatal!. Uma velha casa de pedra aparecia, semelhava gigante, com inumeráveis escaleiras que se perdem entre umas nuvens grises de incerteza. A través da janela, na branca parede, como saído dum filme de medo, vejo pendurado duma cruz um homem ensanguentado, com a olhada estrábica. Esta visão traspassa-me o corpo como um lôstrego. Ao seu carão, um tipo pequeno e calvo. Na cabeça dele nem sequer as lêndeas se querem albergar. Leva uniforme. Esse tipinho interna-se nos miolos maleáveis dos nenos e converte-se no homem do saco.
Numa cena paralela, aparece um clone desse hominho que berra ameaçador “Wertgonha escreve-se com Ñ”.
Vejo-me cuns doze anos caminhando cara a velha escola, não tinha ganhas de ir. Quando chego, a mestra: uma mofletuda mulher, repintada. Não encontra a chave da porta e inicia uns ritos estranhos para atopa-la. Eu mentalmente desejava que não a encontra-se. Ignorava o motivo, mas não tinha ganhas de entrar naquela casa. Dava-me pavor!. Mas os astros confluíram-se no auxilio duma rapaza e aquela manhã os sortilégios fizeram possível um desejo.
Os anos passam e as situações que crias superadas, volvem coma um terrível presagio. Acoplam-se todos os manifestos na tua fronte e vais cara adiante insubmissa, inserida nos passos árduos dum via crucis de género.
Realmente, ainda hoje existe uma sensação de que para conseguir algo, seja preciso coabitar, copular cuma mente insigne, privilegiada de género “macho” que che inculque a traves dum polvo explícito a intelectualidade exata na tua mente de “fêmea limitada”. Porque ademais, para mais Inri, é mais doado legalizar uma arma em galego na Garda Civil, que solicitar um nif para uma associação em Fazenda. E ter um excelente nível de galego é um handicap no teu curriculum vitae. Coido que, seguimos caminhando cara atrás, como dizem que andam os caranguejos, pero a diferença e que nós o fazemos para introduzir-nos no involuto paquete dos sáurios.
Um dia destes alguém me contava, que o político tinha que achegar-se ao povo; pero de verdade, não de palavra, que mentres não sucedesse isso, as cousas seguiriam mau. O povo sempre está na boca deles para conseguir votos, pero aparte disso não tem um significado real. Importa-lhes um caralho. E mentres me comentava isto, eu pensava, na minha mente fazia-se mais plasmável a realidade de que seriam necessárias moitas pessoas com esse mesmo pensamento, para mudar o mundo em algo habitável, desejável. Quiçá, se os estados fossem, por unha vez conscientes das necessidades mais apremiantes a erradicar. Implantariam uma renda básica universal, e então estaríamos falando dum bom começo para que houvesse realmente uma vida digna para todos. Mas não é essa a realidade, não. Certamente não lhes interessa.
Seguimos a viver no interior de borbulhas, criadas expressamente para enganar-nos e distrair-nos com futebol, telenovelas, beatificações e rosários. Tenham-nos contentes, absortos, baixo uma hipnótica pantalha para incautos. Onde não é percetível o ocaso, a morte dos cidadãs que já não lhes queda NADA.
Parece que é impossível escapar do malefício, pois, uma vez mais a educação toma um giro imprevisível e reconfiguram-se no encerado as bases do classismo mais atroz. E vemo-nos percorrendo o mesmo caminho que os nossos pais. vivemos nas nossas carnes as mesmas diferenças que eles sentiram. Atravessamos idênticas alambradas e fugimos, perseguidos pelos mesmos abutres que nos jantam.
O valedor do povo, a justiça… possuem stands no interior das igrejas, enriba dos altares. Desfilam baixo palio nos dias de festa. É pois, sumamente difícil acadar a equidade nestas questões. E eu, tenho uma ladainha envolveita, esquecida no pano de limpar a suor sacra de todos os santos, e estranhamente, em ocasiões, reflexiono na possibilidade de aceder aos privilégios dos milagres.
Uma vez tive um pesadelo, mas isso não é o pior. O pior e que permanece, continua, ainda que tenha acordado há muito tempo.

FONTE: Sermos Galiza

Quando um país é uma herdança

Xuño 6th, 2014  |  Published in| the_category Artigos de Cruz Martínez

Cruz Martínez, poetisa natural da Armenteira.

Quando um país é uma herdança
Nestes dias um sente que um povo é só um anaco de terra que aparece num testamento. Que é parte da propriedade dos terrões duma família de linhagem, nascida para o poder. Na outra banda estamos nós, o povo. Realmente a impotência é uma dura lousa que pretende aniquilar o nosso poder de decisão. Saímos à rua, berramos, luitamos contra a imposição duma monarquia, instaurada no seu momento por uma ditadura, que nos submergiu num longo período de escuridade e carência de liberdade. Porém as nossas razões não importam a um governo totalitário, que trabalha só pelos seus interesses.
Desde que abdicou o velho rei na segunda, estase a pedir insistentemente que haja um referendum, para pudermos opinar sobre o nosso futuro, mas não existe nem sequer a intenção de contar com o nosso parecer, declinam fazer-nos partícipes duma resolução tão fundamental e que nos afeta tão diretamente. No seu comportamento autoritário não entram estas apreciações de liberdade. O mais desesperante é ter a certeza de que todo vai a continuar igual, a pesar de que há uma grande maioria do povo, que não entende o papel duma monarquia na atual sociedade. Pero sim sabe, que o processo de entronização do novo rei , vai ser a toda urgência e aleivosia.

O certo, é que tal como se presenta. Não vexo que haja uma notória diferença entre o entronizamento do pai e o do filho. Pois a pesar de viver numa suposta democracia, na realidade, não nos vai quedar outra que aturar 20.000 anos mais uma monarquia. adquirida e mantida à força. Sem a aceitação maioritária do povo.

Despois dum reinado de 39 anos jubila-se, com uma grande fortuna pessoal. Isso semelha que ser rei é um choio!. E agora deixa-nos, impondo-nos ao seu herdeiro.

A mim o que não me quedam claras, são as funções dum rei. Aparte de matar elefantes e outras atividades, só previstas para “famílias de rancio abolengo”. Ben, será que a minha condição de pobre proletária impede-me ter um conhecimento exato desta classe privilegiada. Mas, sim tenho a certeza de que a sua existência, não vai a melhorar as minhas condições numa sociedade imperada pelo classismo e o imperialismo feroz. Pois num país no que os dereitos mais fundamentais são vulnerados, estas instituições não fazem outra cousa que empobrecer-nos. Mais uma vez, a colonização segue o inexorável caminho da opressão.

FONTE: Sermos Galiza